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porque fui a um casamento

Bem, vamos lá falar honestamente.
Em pleno ano 2010, o que é que é isto do casamento?

No tempo das nossas avós, o casamento era uma etapa da vida, tão obviamente certa como nascer, crescer ou morrer. As pessoas nasciam, cresciam, começavam a desenvolver capacidades sociais, inseriam-se numa comunidade, conheciam outras pessoas, e de entre essas mesmas pessoas, escolhiam com quem casavam e tinham filhos.
Depois educavam os filhos, os filhos começavam a ser eles mesmos seres sociais escolhiam alguém para casa e ter filhos próprios. E o ciclo era previsível e lógico.
Depois vieram as revoluções sociais. Pouco ou nada sentidos em Portugal na altura em que aconteciam, os movimentos liderados pelos baby boomers tiveram efeitos colaterais no nosso País à beira mar plantado apenas depois da nossa própria revolução, desta feita a dos cravos.
E nesse momento começaram as mudanças. Que foram muitas e, dependendo com quem se fala, boas ou más.
Vieram os divórcios em massa, revelações escandalosas das práticas extra conjugais das anteriores ínclitas gerações, surgiram as famílias alternativas compostas pelos meus, os teus e os nossos, as uniões de facto, as mães solteiras, as mães adolescentes, as interrupções voluntárias de gravidez, os planeamentos familiares, as curtes, os one night stands, os solteiros/as inveterados por escolha, os casais sem filhos por escolha, as mulheres em maioria nas universidades, a média de 1,5 filhos por mulher, e recentemente, o casamento de pessoas do mesmo sexo. Se em 1975 houve em Portugal registo de 103.125 casamentos, em 1990 houve 71.654 e em 2008 43.228, dos quais 55,6% foram não católicos. Nesse mesmo ano ocorreram 26.110 divórcios, contra 1.552 em 1975.
Em 2010, como estamos nós? Terá o casamento perdido o seu histórico sentido? Ou terá adquirido outro?
Depende com quem falarmos. O que não é de todo mau, a diversidade tem vindo a abrir-nos horizontes que, admitamos, tínhamos bem fechados. Mesmo que essa abertura seja lenta, suave, e por vezes, imperceptível a olho nu.
Se perguntarmos a um católico praticante o que é o casamento, rapidamente nos dirá que o casamento é um dos sacramentos católicos, sacramento esse através do qual a união de vida de duas pessoas é consagrada perante Deus, e o seu compromisso se torna sacrossanto exactamente por tal consagração, e como tal, “até que a morte os separe”.
Por outro lado, se estivermos a falar com um licenciado em Direito, conseguirá explicar-nos que o casamento é um contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida. Esta é a posição oficial do Estado Português sobre o casamento – um contrato, equivalente a uma escritura pública de compra de um apartamento, por exemplo.
Se por outro lado falarmos com um agnóstico não conhecedor das práticas ou teorias legais, se calhar o tema complica-se, e as respostas variarão conforme estivermos perante uma mulher ou um homem, ou ainda conforme o nível económico, cultural, social ou académico do nosso interlocutor.
De facto, se despojarmos o casamento de todas as noções religiosas, ele acaba por ser apenas consubstanciado por uma troca de papéis, ainda para mais reversível, cujo valor só pode ser baseado em emoções, nada mais.
Mas quando duas pessoas escolhem viver juntas, essas emoções base já existem com certeza: se não são religiosos e não acreditam que o casamento seja uma ligação à partida para sempre, qual o valor que tem o casamento? Uma festa? Ou uma concessão a escrutínios sócio familiares que ainda persistem na nossa sociedade?
Sim e não, dependendo das pessoas, porque obviamente essas mesmas emoções base são conceptualmente subjectivas. A única conclusão certa é que o casamento deixou de ter valor consensual e universal na sociedade Portuguesa de hoje, e passou a ser uma instituição adaptável a cada um, cuja escolha é um tema íntimo do casal, e as suas razões inerentemente subjectivas.

Para mim? É uma forma socialmente aceitável de fazer amor em público: através da festa, das alianças e da conjugação dos apelidos dos noivos, materializa-se em público o amor que os noivos sentem um pelo outro. Também me encanta a ideia de uma pertença de duas pessoas àquela empresa comum, não um ao outro, mas aos dois, ao casal.
Mas eu sou uma romântica incurável. Prática, mas romântica. E confesso que a ideia de ser princesa por um dia me delicia...

e agora dava em crítica literária?

Fiz uma coisa que não faço há anos. Li um livro numa semana, sem ser durante as férias. E não era releitura de um livro já lido. Era um livro novo, acabadinho de comprar, com a lombada ainda virgem. E percebi que tinha muitas saudades de ler. Livros novos.
O Generation X, maravilhosamente escrito e pensado, pareceu-me um exemplo perfeito de uma catarse de histórias pensadas durante anos. Doulgas Coupland parece trabalhar as palavras e as frases com um cuidado extremo, o que acaba por fazer com que o livro pareça não pensado + escrito mas originado directamente de emoções e associação livre de palavras.
Escrita rápida, moderna e despretensiosa, leva-me a entrar num estado de permanente ironia perante as absurdas tarefas mundanas da gente comum. E lembrou-me por que razão adoro a escrita dele: prática, assume os acontecimentos chave das histórias como panos de fundo para o mais relevante sobressair – o que sentem/pensam as personagens. Como os acontecimentos afectam as suas vidas. Como vêem o mundo para além do óbvio. E como ele o sabe descrever com originalidade. E tudo isso me ocorre não pelas histórias descritas, mas pela construção frásica, pelo estilo de cada personagem, fugitivos de cosmopolitas doutrinas de sucesso a todo o custo.
Além disso, adoro qualquer livro que me faz rir sozinha no eléctrico e me obriga a ler em qualquer minuto vazio que tenha durante o dia.
Mas isto é só a minha opinião não académica e vale o que vale. Mas, resumindo, li e recomendo.
Agora estou a ler Paul Auster, que espero me faça sentir/pensar tanto como Douglas Coupland. So far so good!

what happens after you say "I do"?

Este é o mote do novo filme de Carrie Bradshaw. E este é uma dúvida que assalta milhões de pessoas diariamente, apenas comparável aos inquestionáveis mistérios do afterlife.

De todas as pessoas casadas que conhece, quantas lhe responderão honestamente sobre o que acontece uma vez dado o nó? Eu não conheço nenhuma... E isto nada quer dizer sobre o grau de intimidade que tenho com as minhas amigas casadas, mas muito que ver com o tabu que é falar sobre a vida a dois. Ainda.

Admitamos, vivemos num país que até há bem pouco tempo se definia como Orgulhosamente Só. E esta espécie de espírito isolacionista foi incutido em cada um de nós, povo outrora aventureiro mas que hoje parece ver a maior aventura da vida como escolher o que jantar no restaurante Tailandês da moda, sem acabar a comer fígados de porco panados.

Que entre marido e mulher não se mete a colher já sabemos. Que ninguém quer contar as suas desventuras amorosas para não parecer fraco, também. Mas porque é que não se espalham as boas energias que uma vida a dois pode gerar? Talvez para não estragar, ou para não passar a vergonha de também admitir que se acabar vai doer, ou até para não parecer exibicionista. Ou seja, por um misto de proteccionismo e pessimismo sobre o qual, certamente, não reflectimos.

De experiência de vida a dois tenho pouca. Poucos são os meus anos também. Mas tenho a certeza de uma coisa: por nunca ter ouvido alguém, meu semelhante, dizer que partilhar uma vida com outra pessoa é óptimo e por nunca ter ouvido relatos de tal felicidade em primeira mão, acabei a acreditar que a vida a dois era, inevitavelmente, um constante compromisso em que facilmente acabamos a perder mais do que ganhamos. Uma luta constante.

Depois vem a parte mais difícil. Sabendo que é esta a minha perspectiva de relacionamento humano, quantas das minhas relações minei desde o princípio por enquadrar atitudes, comportamentos e até mesmo pessoas em formatos pré concebidos de relação? Em quantas batalhas entrei por as provocar? E o que escondi atrás dessas guerras frias? Enfim, quanto de mim consegui passar pelos muros de preconceitos alheios?

É que sem estas barricadas começo a perceber que a vida a dois pode ser, mesmo, uma espécie de happy ever after. Pelo menos um dia de cada vez.

P.S. reparo que este blog está a focar muito relações amorosas e afins. Devem ser os ares de Maio...

velhos medos

Lembrei-me hoje de quando tinha mais ou menos 11 ou 12 anos, e atravessava de vez em quando o Jardim da Estrela para ir para o liceu.
Uma vez no Verão, preparava-me para mergulhar de cabeça num dos bebedouros do jardim quando uma amiga desses tempos me avisou aflita que se dizia que quem bebesse dessa água nunca teria filhos. Acto contínuo, bebi mais água do que aquela que queria. Isto porque naqueles tempos eu declarava a quem me quisesse ouvir que nunca iria ter filhos, e casar... dificilmente.
Hoje, passados mais de 15 anos, não é bem assim. Hoje declaro sem medos que sim, gostava de ter filhos um dia e casar também.
Medos porquê?
Porque sofri sucessivas e esquizofrénicas lavagens cerebrais. Sendo da primeira geração nascida depois do 25 de Abril, percebi que das duas uma: ou seguimos a doutrina segundo a qual o casamento e os filhos são etapas lógicas e inevitáveis da vida de qualquer pessoa, tal como os sacramentos católicos, ou bem que seguimos teses mais revolucionárias que defendem de punho em riste que o casamento é praticamente um acto do demónio, a fugir a sete pés, e os filhos quase os nossos carcereiros.
No meio disto, cresci entre noções BCBG que me levavam a sonhar com vestidos brancos imaculados, dias de felicidade eterna junto de uma santa alma e nenucos adoráveis, e rebeliões organizadas em família em que se discutiam todas as formas como o casamento acabava com todas e quaisquer pretensões de liberdade de uma mulher.
Quando cheguei à idade do armário, tal era a confusão nos meus pobres lobos cerebrais, que tinha vergonha de dizer que sim senhor, gostaria muito de ser Barbie por um dia e ter ao meu lado um Ken, e depois procriar imensos barriguitas.
Já adulta, cheguei à conclusão que o mais difícil para mim era admitir que tinha um lado feminino menos intelectual, mais sonhador e romântico. E que sim, se (re)encontrasse a pessoa certa, talvez gostasse de casar e ter filhos.
Agora fico na dúvida: serei só eu, ou quantas mulheres têm hoje medo de dizer que ainda gostavam de casar e ter muitos bebés como nas novelas, só porque sim?

just do it already!

Quando tinha 15 anos tinha sempre imenso tempo. A vida ia demorar muito até começar a sério. Ainda estava só a aprender, podia fazer os erros que quisesse, e queria muitos, queria-os tanto! Ainda tinha tanto tempo para saber, para decidir, para pensar, para agir.

Aos 30 a vida é uma sucessão de dias iguais e repetitivos, de movimentos cadenciados, produção em massa, mas eu continuo à espera que a vida comece.

Se calhar a vida esqueceu-se foi de me avisar que já começou.

Manifesto


Comemorar a Revolução dos Cravos de há uns anos para cá, faz-me sempre pensar demais no estado em que estamos a deixar o nosso jardim que um dia foi de Éden, certamente. País com actual lotação esgotada de charlatões e charlatonas...
O fenómeno global da massificação da estupidez que aqui encontra grande eco, conseguido maioritariamente através de meios de informação sem nexo, que educam há décadas gerações de ignorantes, social, historica e politicamente, e de um sistema de ensino que de ensino tem pouco, vive apenas da repetição de conceitos ultrapassados. O povo português segue entusiasmado os dramas dos vampiros adolescentes e revolta-se contra o Governo, por tudo e por nada, sem nunca perguntar o que foi um dia perguntado por quem inspirou milhões: ask not what your country can do for you - ask what you can do for your country. 
Desresponsabilização levada ao limite, individualismo assustador, quando juntados com uma crise económica que, se bem me lembro, dura desde 1992, e uma desmotivação generalizada quanto aos fundamentos da própria existência moderna estão a criar carneiradas desmotivadas que seguem o pastor só porque não sabem pensar por si mesmos, e quando o sabem, raras excepções, têm medo da diferença, medo de falhar, medo do medo que têm...
Neste dia, cada vez mais é preciso coragem para acordar, para assumir, para enfrentar, para solidarizar...
To come together, right now!

ceci n'est pas une pipe

Dúvida existencial: o que fazer quando o barulho que nos enche o dia-a-dia abafa o nosso instinto? Como distinguir o que é real das metáforas que inventamos para tornar a rotina suportável? Como é que percebemos o que devemos ouvir? Medo, culpa, insegurança, sentimentos de protecção, hábito, comodismo, serão estas manifestações de memórias enterradas, o subconsciente a mostrar-nos padrões de comportamento conhecidos e seguros, ou são raciocínios lógicos a puxarem-nos para safe zones?

O que nos leva a não arriscar e acabar a viver com sonhos? Razão, ou medo?

segredos

Todos temos um segredo que não contamos. A ninguém. Nunca. Às vezes é qualquer coisa tão simples como qual é o nosso maior sonho, aquele que julgamos inalcançável. Outras vezes são medos antigos, bem enraizados, que cresceram connosco à volta das veias e músculos, tão nossos que parece que não os podemos remover sem cirurgias invasivas e, sem dúvida, dolorosas. As máscaras que usamos são impostas para os esconder, para ninguém ver aquilo de que realmente somos feitos, porque pensamos que se nem nós conseguimos ver de frente os nossos segredos, os outros podem assustar-se e ficamos sós neste mundo frio.
O mais engraçado é que se algum dia confiarmos em alguém, esses segredos serão a melhor coisa que temos a partilhar. Se retirarmos as máscaras, como quem tira as camadas de uma cebola - metáfora fácil - podemos até chegar a descobrir que gostamos muito de quem somos e que não precisamos de ter mais medo. De quem somos mesmo, e não de quem nos fomos tornando para agradar a esse mundo frio que nos deixaria sós caso falhássemos alguma das suas regras e obrigações. O difícil é mesmo confiar em alguém, sobretudo em nós.
E um dos meus maiores segredos é também um dos meus maiores sonhos, inalcançável em absoluto. Adorava saber cantar o que escrevo, alto, bem alto, para uma plateia gigante. Não esconder mais o som da minha voz, as palavras que me enchem a alma e o juízo… Saber conjugar palavras e sons harmoniosos, saber encantar uma plateia. Partilhar com outros o que o meu corpo sente quando escrevo, quando não fujo ao que me sai das mãos, quando sinto sem a consciência aguçada e crítica da vergonha, do aceitável.
Ou seja, sem metáforas, o meu maior sonho é viver sem medo, sem vergonha, sem a limitadora consciência do que os outros esperam de mim, daquilo que devo cumprir, atingir, conquistar, fazer. Sem lutas.
E fazer apenas o que eu quero…

opinião

Chegou o momento de eu dar uma opinião, que tenho muitas e a maior parte são boas – ou assim me parecem.

Hoje tive uma epifania, desta feita não sobre o que escrevo, mas mais com o país onde vivo.

Eu adoro Portugal, por tudo e por nada. Um dos nadas é sem dúvida o potencial do País. Este é um País com um enorme potencial. Temos as paisagens mais bonitas, o clima mais temperado, a gastronomia mais saborosa e simples... e o que é que fazemos com todo esse potencial? Nada! Ou pior, estragamo-lo e tornamos o que poderia ser bom numa confusão, complicação, num marasmo...

Já tentaram pedir uma informação por telefone, a uma entidade pública? Hoje em dia já não há contactos directos, por isso tem que ser através das "linhas azuis" (ou verdes, depende do mood do momento). Mas depois na linha azul ou verde fazem gracinhas como mandarem as pessoas ir perguntar a mesma coisa, mas ao balcão. ‘E não me vão dar a mesma informação que a senhora?’, perguntei eu em semi-inocência ‘Não, porque nós aqui somos o atendimento informativo’.
Ahhh, claro, percebo perfeitamente, nem é preciso dizer mais. Se no atendimento informativo não sabem a resposta, peça-a em pessoa ao balcão, em que serviço não sabemos, mas ao balcão por definição sabem sempre mais do que ao telefone porque o telefone baralha as informações do atendimento... É tecnologia a mais, claro...

Também percebi, generalizando claro, que o Português que fica em Portugal (os cérebros fogem) é um ser inerentemente complicado, passivo e conformado.

Está frio em casa? Não há problema, põem-se mais umas camisolas ou mantas e acende-se o aquecimento, não interessa que o motivo para o frio dentro de casa seja um essencial e básico mau isolamento, não vale a pena refilar, nunca resolvem nada... Não gostas do que fazes? Aguenta, porque é mesmo assim... Queres mudar de emprego e fazer something completely different? Não pode ser, e o que é que as pessoas vão dizer? Ainda por cima essas coisas esquisitas não dão dinheiro, e o importante, todos sabemos, é o dinheiro!

E assim vamos vivendo, conformadinhos ao que temos, a sonhar com o que não temos e gostávamos de ter, sem a menor ideia de como lá chegar porque tudo é complicado, difícil e, normalmente, baseado em cunhas, contactos ou conhecimentos... Então agarramo-nos a este ópiozinho limitador “é mesmo assim”.

Mas assim como?
Quem disse que era assim?
Quem decretou que independentemente do que queremos temos que viver com o que nos dão, de esmolinha, e ficar agradecidos, a cavalo dado não se olha o dente?
Quem mandou sermos todos iguais, cinzentos?
É porque faz muito sol em Lisboa? Olhe que mão caro amigo, cada vez menos.
É para não confundir as pessoas? Mas se calhar as pessoas precisam de ser confundidas, de sair da sua urbano depressão mais do que uma semana por ano no Algarve.

É preciso acordar! Tanto quanto sabemos só temos uma vida, e a qualquer momento ela pode acabar, ninguém tem garantias de quando vai morrer!

Cada dia é único apenas por ser aquele dia, cada passo é uma escolha apenas por ser um passo!

O que está à nossa frente é muito simples: queremos viver, ou ir vivendo?

mais verdades absolutas inconsequentes

Regra n.º 1: As mulheres nunca podem dar o primeiro passo. Se um homem vem ter contigo num bar e quer conhecer-te, ignora. Só podes mostrar interesse se conheceres alguém que o conheça.
Regra n.º 2: Nunca dormir com um homem na primeira vez que o conheces. Play hard to get, mesmo se até te apetecer ir para a cama com ele.
Regra n.º 3: Se saíste com um homem, não lhe ligues no dia a seguir. Tem que ser ele a ligar. Senão ligar, que dizer que não está interessado em ter uma relação séria contigo, e isso é a única relação que podes querer.
Regra n.º 4: Good girls don’t have one night stands. Se queres ser o tipo de mulher que os homens apresentam às mães, só podes ter relações sérias.
Regra n.º 5: Numa relação, nunca podes ser tu a querer sexo. E mesmo que queiras, play hard to get again. Fá-lo lutar pelo teu corpo constantemente.
Regra n.º 6: Nunca sejas a primeira a dizer “Eu amo-te”. Além de mostrar que és fraca, carente, é foleiro dizer “Eu amo-te” em português. Arranja um eufemismo qualquer quando ele já tiver dito primeiro.
Regra n.º 7: Se ele te perguntar com quantos homens já dormiste, mente. Nunca tiveste muitos.
Regra n.º 8: Nunca mostres que és inteligente, e sobretudo mais inteligente que ele. Ri-te sempre das piadas dele, mesmo que as conheças desde o dia em que falaste com ele pela primeira vez.
Regra n.º 9: Não vás viver com ele. Se viveres com ele, ele nunca se vai querer casar, e esse é o objectivo último de todas as relações sérias a partir dos 20 anos.
Regra n.º 10: Mantém os jogos todos durante a relação, mesmo que seja séria e duradoura – nunca atendas o telefone à primeira, nunca ligues demasiadas vezes, nunca digas “Eu amo-te” muitas vezes (ou o seu equivalente), nunca te mostres demasiado feliz por estar com ele, façam muitos programas fora de casa para manter a vida a dois interessante.

Estas são algumas das regras que todas as mulheres ficam a conhecer a fundo a partir da adolescência. Aliás, o que parece acontecer é que em termos de relações, o ser humano dito civilizado nunca sai de um estado de permanente adolescência, estado esse em que tem que planear, racionalizar cada passo, pensar nas consequências sociais de cada frase ou atitude, e sobretudo, nunca dizer a verdade ou agir livremente.
Existem livros vários sobre como “agarrar um homem” ou “manter o interesse na relação”. A maior parte deles não nos diz o mais essencial: qualquer relação humana serve o propósito de nos completar de maneira a evoluírmos conjuntamente e, a curto prazo, sermos felizes. Se pensarmos demais sobre matters of the heart, nada faz muito sentido. E claro, se analisarmos uma relação que não correu como gostávamos depois de ela acabar, haverá sempre milhares de situações em que achamos que devíamos ter agido de outra forma. Mas a beleza da vida, para mim, é termos agido da melhor forma que sabíamos e queríamos no momento em que agimos. E, de qualquer maneira, como ouvi num filme, falar sobre amor é como dançar ao som da arquitectura.